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O ranking do UFC está atrasado em relação ao mercado, e o sábado provou isso duas vezes

O No. 12 venceu o No. 8 duas vezes no mesmo card do UFC, e nas duas o lutador pior ranqueado era o favorito nas apostas. O painel está quatro posições atrás do mercado.

Autor
Mate Bersenadze
Publicado
9 de ago. de 2026
Tempo de leitura
4 min de leitura
Tags
ufc · rankings · betting-odds · amanda-lemos · mateusz-gamrot · darren-elkins

Duas vezes no sábado à noite, o lutador No. 12 de uma divisão do UFC venceu o No. 8 daquela mesma divisão. Duas vezes, o No. 12 entrou como favorito nas apostas. Ninguém que acompanhou o movimento das odds se surpreendeu com qualquer um dos resultados, e isso deveria incomodar a promoção mais do que aparentemente incomoda.

Quillan Salkilld era o 12º do peso leve e fechou com 60 por cento de chance de vencer o No. 8 Mateusz Gamrot. Ele o finalizou no primeiro round. Alexia Thainara era a 12ª do peso palha feminino e fechou com 73 por cento contra a No. 8 Amanda Lemos. Ela venceu todos os rounds e manteve o controle por 7:43 de uma luta de quinze minutos.

Duas divisões, a mesma diferença, a mesma direção. O mercado leu a luta certo e o ranking a leu ao contrário, por quatro posições, nos dois casos.

Darren Elkins Foto: RapidSpin33 (talk) (Zach Able) / CC BY-SA 3.0

Quero ser justo sobre para que serve um ranking. A lista do UFC é votada por um painel de mídia, não é calculada, e nunca foi feita para ser uma previsão. É um registro de quem fez o quê, e por esse critério Lemos no No. 8 era defensável só pelo currículo. Ela venceu Mackenzie Dern, que é a campeã hoje.

O problema é que currículo se deteriora e a lista não precifica essa deterioração. Lemos havia perdido três lutas seguidas antes de sábado, para Thainara, para Gillian Robertson e para Tatiana Suarez, e ainda estava quatro posições acima da mulher que a venceu mais recentemente. Ela tem 39 anos. O mercado sabia de tudo isso e se mexeu. O painel a manteve em oitavo.

Salkilld é o caso mais gritante, porque o ranking não estava lento, estava inerte. Antes de sábado ele havia vencido seis seguidas no UFC, cinco delas por finalização no primeiro round, incluindo um nocaute em Beneil Dariush em maio. Essa é a melhor sequência ativa do peso leve e lhe rendeu o 12º lugar, uma posição abaixo de Rafael Fiziev e três abaixo de Dan Hooker. As casas o colocaram como favorito contra o No. 8. O painel o colocou atrás de quatro lutadores contra os quais ele teria sido favorito.

Alguns vão dizer que é exatamente isso que um ranking deve fazer: premiar vitórias acumuladas em vez de sequências quentes, para que um bom ano não jogue um prospecto por cima de uma década de trabalho. Concordo com isso em princípio, e defenderia um sistema que ficasse uma ou duas posições atrás por essas razões. Quatro posições não é atraso. Quatro posições é uma lista que parou de acompanhar aquilo que diz acompanhar, em um esporte no qual a promoção usa essa lista para vender lutas e para justificar quem recebe e quem não recebe uma disputa de título.

E o custo desse atraso não é pago pelo painel.

A terceira luta daquele card foi Darren Elkins, 42 anos, 31 aparições no UFC, sendo nocauteado em 35 segundos por Yadier del Valle. Elkins não acertou nada. Ele tentou dois golpes significativos, sofreu uma queda por golpe e acabou. O mercado o colocava em 13 por cento, a linha mais larga do card, e o mercado estava correto dentro de um round.

Ninguém precisa de um ranking para saber que aquele confronto tinha uma direção só. O que o ranking de fato controla é quem é servido a quem na descida, e o hábito do esporte de marcar um veterano querido contra um finalizador de 30 anos com cartel de 11-1 não é um problema de ranking, é de matchmaking. Mas os dois são a mesma máquina. Nós publicamos uma pesquisa dois dias antes deste card concluindo que a idade combinada com quedas acumuladas por golpe, e não o total de lutas ou de minutos, é o que prevê a queda. Elkins se encaixava nesse perfil antes da caminhada até o octógono, e bastaram 35 segundos para confirmar.

Aqui está a solução, e ela não é complicada. Publiquem os votos do painel. O UFC já publica a lista; o que não publica é quem votou em quem nem quando um votante atualizou seu voto pela última vez. Transparência de votos é padrão em todo outro esporte que faz uma enquete de mídia, não custa nada, e permitiria que qualquer um visse se um lutador está no No. 8 porque os votantes acreditam nisso ou porque ninguém se deu ao trabalho de movê-lo.

Se isso não for possível, ao menos parem de fingir que o número significa o que a promoção diz que significa quando vendem a luta para você. No sábado o mercado venceu o ranking duas vezes, por quatro posições, em duas divisões, na mesma noite.

O mercado não é mais inteligente que o painel. Ele apenas está prestando atenção.