UFC 330: Barboza vs Ribovics é a luta de bônus escondida à vista de todos
Prévia do UFC 330: Edson Barboza traz 12 bônus na carreira, Esteban Ribovics faturou a Luta da Noite em três das últimas quatro. A matemática aponta para violência.
Em algum lugar abaixo de Makhachev vs Garry e de duas disputas de cinturão, o UFC 330 abre seu card principal no sábado com uma luta de peso-leve que não tem implicações no ranking, não tem narrativa, e tem o piso mais alto de violência garantida do card: Edson Barboza vs Esteban Ribovics.
Os dois homens que vão entrar naquele octógono somam 15 cheques de bônus no UFC. Barboza é dono de 12 deles, o que significa mais bônus do que Ribovics tem lutas no UFC.
Deixa eu empilhar os recibos, porque o número de Barboza merece contexto.
| Mais noites de bônus no UFC, todos os tempos | Bônus |
|---|---|
| Charles Oliveira | 20 |
| Donald Cerrone | 16 |
| Jim Miller | 16 |
| Dustin Poirier | 15 |
| Nate Diaz | 15 |
| Justin Gaethje | 14 |
| Joe Lauzon | 14 |
| Edson Barboza | 12 |
| Max Holloway | 11 |
| Cub Swanson | 11 |
Oitavo de todos os tempos, à frente de Holloway, e o maior número entre todos que lutam no UFC 330. Islam Makhachev, para efeito de comparação, tem 5.
O intervalo de tempo é a parte verdadeiramente absurda. O primeiro bônus de Barboza veio em março de 2011, pela luta contra Anthony Njokuani, quatro meses depois do início de uma trajetória no UFC que começou em novembro de 2010. O mais recente veio em maio de 2024, contra Lerone Murphy, treze anos depois. No meio do caminho: a noite do Terry Etim, em janeiro de 2012, até hoje o chute rodado mais reprisado da história do esporte, que pagou em dobro como Nocaute da Noite dentro de uma Luta da Noite. A guerra contra Felder. A luta contra Ferguson. A luta contra Gaethje, que era a Luta da Noite mais previsível de 2019 antes mesmo de acontecer e entregou assim mesmo. Três dos doze vieram em lutas que Barboza perdeu, o que é um tipo próprio de currículo: com ele, os cheques caem nas duas direções.
A parte honesta
Agora a outra coluna do balanço, porque não estou escrevendo um anúncio de nostalgia. Barboza tem 40 anos, tem cartel de 18-14 no UFC em 32 lutas, e vem de três derrotas seguidas: decisões para Lerone Murphy e Drakkar Klose, e depois um nocaute no primeiro round contra Jalin Turner em dezembro passado. Isso foi há oito meses, e Turner está neste mesmo card, lutando mais cedo na noite, o que diz muito sobre como os matchmakers enxergam a cadeia alimentar. Nove das 18 vitórias de Barboza são por nocaute, mas a mais recente delas foi contra Billy Quarantillo, em abril de 2023. A versão de Barboza que acertou o chute rodado em Etim não vai caminhar até o octógono no sábado. Alguma versão das canelas dele, sim.
Do outro lado do octógono está o motivo pelo qual essa luta foi feita mesmo assim. Ribovics tem 30 anos, está 4-3 no UFC, e faturou a Luta da Noite em três das últimas quatro: a decisão dividida contra Daniel Zellhuber, a decisão dividida que perdeu para Nasrat Haqparast, e a luta contra Elves Brener em agosto passado. Ele não joga para o gasto, não trava no clinch, e o único resultado apagado dele nesse período foi ser finalizado por Mateusz Gamrot em abril, o que é menos uma crítica de estilo e mais um imposto Gamrot. Sete lutas no UFC, três cheques de bônus, uma taxa de 43 por cento de acerto em ser pago a mais só pela cara que a luta teve.
As casas de apostas não estão em dúvida sobre o resultado: Ribovics aparece acima de -500, Barboza além de +400, uma das linhas mais abertas do card. Tudo bem. O mercado está precificando quem vence. Não está precificando como a luta vai ser no caminho até lá, e essa é a única pergunta que esse combate foi agendado para responder. Um matchmaker não coloca um cara de 40 anos em sequência de três derrotas na abertura do PPV por lógica de divisão. Coloca ali porque as lutas dele começam rápido, rendem imagens bonitas e terminam no highlight de alguém.
Fui e voltei no palpite. O caso romântico se escreve sozinho: Ribovics se engaja exatamente do jeito que toda vítima de nocaute de Barboza se engajou, reto pelo meio, queixo na frente, e +400 num homem com nove nocautes no UFC é o tipo de número que já me envergonhou antes. Mas a luta contra Turner é o tape que importa. A durabilidade de Barboza, a coisa que carregou metade daquelas noites de bônus, é justamente a coisa que foi embora primeiro.
Palpite: Ribovics por TKO, no segundo round, numa luta que paga os dois de qualquer jeito.